quarta-feira

O Jardim de Eros e a Queda das Folhas

"Apesar de vasto, este mundo é plural: cada alma guarda o seu. Amigos, apresento-lhes aqui um fragmento do meu:

Existem presenças que surgem como um sopro de gosto e sedução. Despertam a admiração que atrai, o fascínio que nos conduz à autoentrega e a sede incessante pela conquista do outro.

Fazemos parte deste velho e eterno teatro de encantamento — um domínio de deslumbres, magias e feitiços. Persistimos nele enquanto a força maior, a força Eros, que é a essência pulsante da existência humana, tiver fôlego para nos guiar pelos labirintos do desejo.

O amanhã já espreita logo ali. Diante da implacável certeza da mudança, o que nos resta é a leveza do essencial: o ato de sorrir.

Neste plano, tudo é vago e passageiro. O tempo não apenas corre, ele voa e nos atordoa com sua velocidade; as folhas, inevitavelmente, caem. Mas eu lhes digo: sorriam! A cruz do calvário, com seu peso de martírio, jamais deve ser o nosso destino. Afinal, qual é o destino das folhas que caem senão o de adubar a terra para o novo?
Esta é uma meditação serena sobre a natureza do tempo e a urgência da aceitação. Um lírico reconhecimento de que a vida é transitória, e a sabedoria consiste em enfrentá-la com a alma aberta e o rosto iluminado."

https://youtu.be/Poc529YOhSw
Chico Carlos



quinta-feira

O Aluguel da Fé e o Custo da Ilusão Política


  A política ditatorial, fundamentada na troca de favores para satisfazer interesses pessoais e de correligionários, utiliza um processo de aculturação obsessiva para converter tanto a massa de extremistas religiosos — em especial aqueles movidos pelo racismo e pela LGBTfobia — quanto aqueles postos à margem da educação. Sob o pretexto de defender a liberdade absoluta do capital e a intervenção mínima do Estado, esses agentes promovem uma política de favorecimento exclusivo. Estrategicamente, sem moralizar a gestão ou sanear os fatos, entregam o patrimônio nacional ao capital imperialista, submetendo o trabalhador a leis trabalhistas e previdenciárias "acochambradas" — um verdadeiro retrocesso sob o domínio do poder neoliberal.

Na busca por um "escolhido de Deus" para guiar os destinos econômicos e sociais, muitos se deixaram seduzir pelo egoísmo ou foram explorados por um discurso religioso politicamente sarcástico. Falsos profetas, tomando o nome de Deus em vão, manipularam a boa-fé de eleitores que, sob o efeito de uma obsessão induzida, tornaram-se massa de manobra.

Esse movimento cooptou também os opositores da igualdade de gênero e aqueles que, impulsionados por frustrações ou carências, viram na propaganda política uma saída messiânica. Diante deste cenário, muitos consideraram o "Jair Bolso caro" como o menor dos males. O resultado está diante de nós: colhemos o que foi plantado.

O termo "ideologia de gênero" foi instrumentalizado e convertido em um verdadeiro "bacanal" ideológico, distorcendo o que, em 2014, o Ministério da Educação (MEC) propunha no Plano Nacional de Educação (PNE) como combate às discriminações e promoção da diversidade.

Que a fé autêntica não permita que o profano — personificado por aqueles que recorrem a palavras chulas e posturas vulgares — reprima a oposição legítima. Infelizmente, congressistas e simpatizantes, cegos pela astúcia neoliberal ou movidos por interesses puramente mercantis, mantêm grande parte do povo espiritualmente alheio às artimanhas alicantinas
(o que corresponde a astúcias, tramas, chicanas ou fraudes) do Congresso. Que busquemos a lucidez contra a velhacaria, sem jamais permitir que as divergências de fé se convertam em conflitos fratricidas (disputas, lutas ou guerras que ocorrem entre pessoas, grupos ou nações que compartilham laços estreitos, como irmãos, compatriotas ou membros do mesmo grupo, muitas vezes levando à destruição mútua).

Amém — que assim seja.  
Chico Carlos