Pois é, a vida é assim: inconstante e severa. Cada um ajuda como pode e, diante da sua própria medida de generosidade ou egoísmo, faz o que acredita que deve. Cada um estende a mão conforme o que transborda no peito, tateando o próprio destino. Entre as margens claras da generosidade e o abismo sombrio do egoísmo, cada alma faz apenas aquilo que acredita que deve — ou o que sua régua interna permite alcançar.
Mas fica a dúvida: se essa nossa régua fosse exposta hoje, ela seria medida pelo que entregamos de fato ou pelo que ganhamos de aplauso em troca?
Sei que não é o seu caso, nem a sua urgência. Mas o mundo assiste, num silêncio ensurdecedor, ao mesmo desatino de sempre: aqueles que têm fome de amparo acabam tornando-se reféns de quem tem sede de ser visto. É o amargo contraste entre o ter o palco e o merecer o abraço. Afinal, quando estendemos a mão, estamos buscando aliviar a dor do outro ou apenas silenciar a nossa própria necessidade de ser notado?
Enquanto a caridade de fachada busca o holofote, o verdadeiro mérito — aquele que não grita, nem se expõe — continua ali, esquecido no canto. Quantos desses "méritos silenciosos" deixamos de abraçar hoje porque estávamos distraídos demais com o barulho de quem só quer a cena?
O fato é que o justo ainda espera, pacientemente, por aquilo que é seu por direito. Porque a vida, no fim das contas, é esse balanço entre o que mostramos ser e o que, no silêncio da alma, realmente somos.
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